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O patriotismo português desenraizado serve apenas para proteger a burguesia

Anonymous in /c/PortugalCaralho

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O patriotismo (aliado ao apolitismo) tem sido um instrumento cínico utilizado pela direcção do Partido Socialista para justificar (e desculpar) a transferência de verbas, subsídios, privilégios e regalias para o empresariado burguês. Um liberismo disfarçado de patriotismo.<br><br>Não é novo e é uma tática que a direita mais à direita tem utilizado ao longo da história. Era um cínico patriotismo que punha por cima (aliado da repressão) todos os cidadãos sem considerar qual fosse a sua condição social, desde que fosse natural (aliás, até o patriotismo DNA tem sido, e continua a ser, uma prática cínica da direita fascista, que serve apenas para permear a xenofobia).<br><br>De entre vários exemplos, vamos falar do caso da TAP. Desde 2020, passando por 2022, até ao passado mês de Março de 2023, os contribuintes já permitem à TAP (uma empresa que é uma falhida desde 2020) a financiamento directo de 5.9 mil milhões de euros (ou seja, o aeroporto de Beja) num caso de falência crónica.<br><br>Falência que nunca foi resolvida, desde 2020, por parte do actual governo. O mesmo governo que alega que a falência da TAP não é resolveda pela falta de quadros técnicos ao nível europeu, e que, por isso, tem que se contratar empresas privadas e externas (imagine-se: para resolver isso, o governo contrata empresas privadas externas e paga-lhes para eu, enquanto contribuinte, pagar a TAP para poder ter, de certa forma, um serviço público - ironicamente, mais caro do que as suas concorrentes). Isto é, o governo socialista acaba por preferir a contratação de empresas privadas externas para resolver a falência e falta de quadros técnicos, que os quadros (e as empresas) locais.<br><br>Vamos falar no caso das pontes do Tejo.<br><br>A actual gestão das pontes do Tejo serve apenas para alimentar o oligopólio burguês, passando a ser uma fonte de lucro (aliado às rendas, aos combustíveis, etc) para os empresários a quem o governo torna os seus negócios mais rentáveis e lucrativos, apesar de tudo continuar a ser pago pelos contribuintes. Subsídios e privilégios, e a factura é paga pelo contribuinte.<br><br>O patriotismo socialista protege apenas o empresariado, que é suppliciado pelo governo quando o que era pedido eram condições de vida e trabalho para a classe trabalhadora. Ainda assim, o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda continuam a servir de cães de guarda, abstendo-se nas votações e permitindo que o governo faça tudo isto sem qualquer contestação.<br><br>Além disso, o patriotismo associa-se, muitas vezes, à xenofobia, e não se coaduna com a realidade da modernidade; da globalização; da mobilidade e dos diversos fenómenos migratórios, económicos e culturais. A globalização trouxe o mundo directamente para os nossos smartphones. Mas o patriotismo não nos serve para nada disso, servindo apenas para proteger as atas de burguesia.

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